Mais de 200 renomados cientistas da Amazônia e parceiros globais compõem o Painel Científico para
a Amazônia. Juntos, eles desenvolveram uma avaliação científica abrangente sobre o estado
da Bacia Amazônica, e propõem soluções e caminhos de desenvolvimento sustentável para prevenir
futuras catástrofes. Esse processo incluiu diálogos com povos Indígenas e comunidades locais sobre as ameaças que estão enfrentando.

Foi divulgado hoje, na COP26, o primeiro Relatório de Avaliação da Amazônia. O Relatório, desenvolvido pelo Painel Científico para a Amazônia (SPA) e seus mais de 200 cientistas, alerta que a Amazônia está se aproximando de um potencial e catastrófico ponto de inflexão devido ao desmatamento, degradação, incêndios florestais e mudanças climáticas. Ultrapassar esse ponto de inflexão pode resultar em uma perda permanente de floresta tropical e uma rápida transformação da floresta em ecossistemas mais secos, degradados e com menor cobertura de árvores. O Relatório do SPA está alinhado com a ambição da COP26 de reduzir o desmatamento e a degradação florestal e faz um apelo aos governos globais, líderes do setor público e privado, formuladores de políticas e ao público em geral para agir agora para evitar mais devastação na região.

O Relatório do SPA aponta caminhos pautados no desenvolvimento sustentável e oferece uma análise abrangente através de uma avaliação científica única sobre a Bacia Amazônica. O relatório ressalta a importância de oferecer recomendações baseadas na ciência e em dados robustos, assim como de encorajar inovação tecnológica e soluções baseadas na natureza combinadas com o conhecimento dos Povos Indígenas e das comunidades locais (IPLC) para orientar a tomada de decisões e a formulação de políticas.

Carlos Nobre, Co-Presidente do SPA, ressalta, “O atual modelo de desenvolvimento está alimentando o desmatamento e a perda de biodiversidade, levando a mudanças devastadoras e irreversíveis. Para que a Amazônia sobreviva, devemos mostrar como ela pode ser transformada para gerar benefícios econômicos e ambientais, através de colaborações entre cientistas, detentores do conhecimento indígena e seus líderes, comunidades locais, setor privado e governos.”

O Relatório do SPA: um olhar mais próximo

O Relatório foi desenvolvido por mais de 200 cientistas, dos quais dois terços são de países amazônicos, incluindo cientistas Indígenas. Inspirado pelo Pacto de Leticia para a Amazônia, o Relatório é o mais detalhado, abrangente, e holístico documento de seu tipo sobre a Bacia Amazônica. Juan Manuel Santos, ex-presidente da Colômbia e membro do Comitê Estratégico do SPA, acrescentou: “Há muitas informações neste relatório e muitas mensagens poderosas. Precisamos repetir essas mensagens para haja um efeito político construtivo. Precisamos conscientizar todos sobre a importância de salvar a Amazônia. O que este relatório faz é nos dar as ferramentas e munições para cumprir e executar essa tarefa tão importante.”

A Bacia Amazônica: alguns fatos

● A Bacia Amazônica é uma das áreas com maior diversidade biológica do mundo. A verdadeira diversidade de espécies da Amazônia ainda está subestimada, com uma taxa extraordinária de descoberta de novas espécies (uma a cada dois dias). No ritmo atual, levará várias centenas de anos para que se conheça toda a biodiversidade da região.

● A insubstituível biodiversidade da região confere estabilidade e resiliência para seus ecossistemas terrestres e aquáticos, e é produto de dinâmicas complexas que co-evoluíram por milhões de anos.

● A Amazônia é um dos elementos mais críticos do sistema climático Terrestre, e desempenha um papel crítico nos ciclos globais de água e na regulação da variabilidade climática. Uma quantidade significativa de umidade flui para diversas regiões da América do Sul através de “rios voadores” e é uma importante fonte de água para os ecossistemas além da Bacia. A Bacia fornece a maior vazão de rio da Terra, respondendo por cerca de 16 a 22% do fluxo total de rios do mundo para os oceanos. É também um reservatório e sumidouro crucial de carbono, armazenando aproximadamente de 150 a 200 bilhões de toneladas de carbono em seus solos e vegetação.

● Cerca de 47 milhões de pessoas vivem na Amazônia, incluindo cerca de 2,2 milhões de Indígenas distribuídos em mais de 400 grupos e falando mais de 300 idiomas. IPLCs são vitais para a conservação e gestão sustentável da diversidade agrícola e biológica amazônica, bem como dos ecossistemas. No entanto, devido às muitas pressões e ao enfraquecimento da proteção de seus direitos, os povos, culturas e conhecimentos da Amazônia estão sob ameaça. A garantia dos direitos territoriais e da auto-determinação dos povos Indígenas e das comunidades locais está entre as estratégias mais importantes para a proteção da biodiversidade e das paisagens bioculturais da Amazônia. Cientista sênior e membro do Comitê Diretor Científico do SPA, Dr. Mercedes Bustamante acrescentou: “Com os recentes picos de desmatamento que estão devastando a mais extensa tropical floresta na Terra, devemos anunciar um código vermelho para a Amazônia.

Salvar as florestas remanescentes do desmatamento e degradação contínuos e restaurar os ecossistemas aquáticos e terrestres é uma das tarefas mais urgentes de nosso tempo para preservar a Amazônia e suas populações, assim como para enfrentar os riscos e impactos globais das mudanças climáticas. O mosaico de ecossistemas da Bacia se estende desde os Andes até a planície amazônica, abrigando a biodiversidade mais extraordinária da Terra, com mais de 10% das espécies vegetais e animais em todo o mundo.”

Amazônia na beira de um ponto de inflexão

Aproximadamente 17% das florestas da Bacia Amazônica foram convertidas para outros usos da terra e pelo menos outros 17% foram degradados no bioma. Especialistas estimam que 366,300 km2 de florestas foram degradados entre 1995 e 2017, e todos os anos centenas de milhares de hectares de florestas, a maioria degradada, queimam em toda a bacia, à medida que o fogo escapa de pastagens próximas ou áreas recentemente desmatadas.

Na ocasião 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, o Relatório do SPA clama aos tomadores de decisão para agirem agora, e recomenda uma moratória imediata ao desmatamento em áreas que já se aproximam de pontos de inflexão, e que sejam alcançados desmatamento e degradação florestal zero em toda a região amazônica antes de 2030.

Construindo Resiliência

O SPA defende a restauração e remediação da cobertura florestal nativa e dos ecossistemas aquáticos; a conservação da biodiversidade, agrobiodiversidade e diversidade cultural; bem como o monitoramento do desmatamento, da degradação, e o estabelecimento de sistemas rápidos de alertas de incêndios. Manejar a resiliência da Amazônia também requer uma ação global para interromper as emissões de gases de efeito estufa. Embora a mudança no uso da terra seja a ameaça mais visível aos ecossistemas da Amazônia, as mudanças climáticas estão emergindo como uma das ameaças mais comprometedoras para o futuro da região.

“Este evento e esse tipo de conexão promovida pelo SPA entre cientistas, empresários, sociedade civil, povos Indígenas, comunidades locais e representantes estaduais são as formas mais eficientes de transformar a Amazônia, uma região vital para brasileiros como eu, para nossos vizinhos da América Latina e certamente para todo o mundo”, afirma Guilherme Leal, Co-Fundador da Natura e membro do Comitê Estratégico do SPA.

Soluções e Caminhos Futuros: Uma Amazônia Viva

Apesar das constatações alarmantes, o Relatório do SPA destaca o potencial significativo de avançar caminhos para o desenvolvimento sustentável baseados em uma combinação de pesquisa científica e conhecimento de povos Indígenas e comunidades locais, enfatizando a importância da colaboração e de alavancar parcerias fortes. O SPA defende a visão de uma Amazônia viva que promova iniciativas de conservação e restauração e uma transformação para uma bioeconomia inovadora de florestas em pé e rios fluindo saudáveis, e que respeite e reconheça os ciclos naturais e os direitos humanos, particularmente aqueles de IPLCs. O investimento em educação, ciência, tecnologia e inovação é de suma importância.

Avançar caminhos de desenvolvimento sustentável e alcançar o desmatamento, degradação florestal, e incêndios zero na Amazônia antes de 2030 depende dos esforços combinados e colaborativos de formuladores de políticas da Amazônia nos níveis central e local, dos setores financeiro e privado, da sociedade civil, e da comunidade internacional. O tamanho e os desafios da Bacia Amazônica exigem desenvolvimento financeiro internacional em grande escala, bem como parcerias financeiras públicas e privadas, para promover e sustentar a restauração, conservação, manejo florestal, o desenvolvimento de cadeias de valor sustentáveis, pagamento por esquemas de serviços ecossistêmicos, e investimento em educação, ciência, tecnologia e inovação. O apoio financeiro deve ser mobilizado das economias avançadas, garantindo que seu consumo esteja vinculado a áreas com desmatamento zero, e preservando o papel das florestas como um importante sumidouro natural de carbono.

O Coordenador da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), José Gregorio Diaz Mirabal acrescentou: “Vamos salvar a humanidade. Vamos superar essa crise econômica, climática, alimentar e de saúde e essa extinção da biodiversidade respeitando este relatório. Só falta o apoio dos governos, bancos, empresas e de toda a humanidade”.

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